O uso não descrito em bula (off label) de medicamentos anti-histamínicos na pediatria

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Agnes Morgana Gomes Candido
Breno Silva dos Santos
Jefferson Eugenio da Silva
Lucas Galuppi Auletta
Suellen Meneses Delfino
Thaynara dos Santos Pereira
Raquel Bertoluci
Leandro Giorgetti

Resumo

O pediatra necessita ter uma maior sensibilidade de uma visão integral da criança e do adolescente, dentro do contexto social em que estão inseridos, diante da segurança e eficácia dos medicamentos prescritos, as quais depende das concentrações do fármaco no organismo.


No que dizem respeito às formulações pediátricas, os principais fatores que desestimulam a indústria farmacêutica a desenvolver medicamentos para crianças, contemplam: o número pequeno de sujeitos disponíveis para participar destas pesquisas, os elevados custos marginais, o mercado reduzido e a complexidade ética desses estudos. Nesse sentido, médicos praticam o uso não descrito em bula (off label), o qual pode ser definido como o uso não aprovado de um medicamento pelo órgão sanitário local.


Devido ao seu efeito sedativo os anti-histamínicos H1 lideram as prescrições off-label na pediatria, os motivos para o seu uso são diversos, contudo podemos destacar: indução ao sono, tratamento de gripe e tosse, rinite, dermatite, asma, otite e urticária. Visto que muitos medicamentos utilizados no tratamento de doenças alérgicas não passaram por estudos para populações pediátricas, devido a certas barreiras éticas, a prescrição off-label destes produtos acaba sendo comum e geram uma preocupação a respeito de possíveis eventos adversos, mesmo com a crescente preocupação e esforços para melhorar os cuidados de saúde praticados em crianças, especificamente através da utilização de medicamentos seguros e efetivos.


Dessa forma, no período pós-comercialização de um produto farmacêutico, os profissionais farmacêuticos dentro da farmacovigilância, como papel de Detentoras de Registro de Medicamentos (DRM), monitoram informações de segurança e, a partir delas, realizam avaliações benefício-risco e estabelecem medidas de minimização de risco, além de ser um dever e compromisso ético do farmacêutico instruir os pais e responsáveis das crianças mesmo quando o uso dos medicamentos está fora dos rótulos.

Detalhes do artigo

Como Citar
1.
Morgana Gomes Candido A, Silva dos Santos B, Eugenio da Silva J, Galuppi Auletta L, Meneses Delfino S, dos Santos Pereira T, Bertoluci R, Giorgetti L. O uso não descrito em bula (off label) de medicamentos anti-histamínicos na pediatria. Braz. J. Nat. Sci [Internet]. 2º de dezembro de 2023 [citado 24º de fevereiro de 2024];5(1):E1932023 -1. Disponível em: https://bjns.com.br/index.php/BJNS/article/view/193
Seção
Artigo em fluxo contínuo
Biografia do Autor

Agnes Morgana Gomes Candido, Graduanda em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi

Graduanda em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi



Breno Silva dos Santos, Graduando em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi

Graduando em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi



Jefferson Eugenio da Silva, Graduando em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi

Graduando em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi




Lucas Galuppi Auletta, Graduando em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi

Graduando em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi


Suellen Meneses Delfino, Graduando em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi

Graduando em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi

Thaynara dos Santos Pereira, Graduando em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi

Graduando em Farmácia Universidade Anhembi Morumbi

Raquel Bertoluci, Docente da Universidade Anhembi Morumbi

Docente da Universidade Anhembi Morumbi

Leandro Giorgetti,  Docente da Universidade Anhembi Morumbi

 Docente da Universidade Anhembi Morumbi

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